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Operação prende quadrilha acusada de furtos de defensivos; prejuízo foi de R$ 1,2 milhões

Por GAZETADIGITAL
06/08/2024 às 17h33
| Atualizado em 06/08/2024 às 17h33
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Reprodução

Um grupo criminoso, acusado por furtos de defensivos agrícolas em fazendas de Mato Grosso foi preso durante Operação Cerco Verde, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (6). As ordens judiciais, decretadas pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Barra do Garças (509 km a leste), foram cumpridas em Canarana (823 km a leste de Cuiabá), Itumbiara, Rio Verde e Jataí, municípios goianos. Os acusados também foram alvos de sequestro de bens e valores, no montante de R$ 1,2 milhão.

A quadrilha é investigada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) por furtos ocorridos em propriedades rurais de diferentes regiões do estado, entre 2021 e 2023. Os crimes foram registrados em Araguaiana (563 a leste), Ipiranga do Norte (530 km ao norte), Ribeirarão Cascalheira (900 km a leste), Canarana (823 km a leste) e Tapurah (433 km a médio-norte).

Furtos

A investigação comprovou a existência de uma organização criminosa envolvida com os furtos de defensivos agrícolas em Mato Grosso. A apuração reuniu elementos comprovando a autoria de 3 furtos em diferentes municípios, além de indícios de outros crimes. As informações reunidas atestam a estrutura característica de organização criminosa integrada e constituída pelos indiciados.

A GCCO investigou que 3 furtos ocorreram em 2021, em fazendas dos municípios de Ribeirão Cascalheira e Ipiranga do Norte, e outro em dezembro do ano passado, em Araguaiana.

Na madrugada do dia 10 de dezembro do ano passado, ao menos 5 investigados furtaram defensivos avaliados em quase R$ 200 mil de uma fazenda em Araguaiana.

Já em dezembro de 2021, o furto ocorreu em uma propriedade rural de Ipiranga do Norte, onde o grupo criminoso furtou R$ 107.610,00 em produtos agrícolas.

Em novembro do mesmo ano, a quadrilha invadiu uma fazenda em Ribeirão Cascalheira, onde foram furtados produtos avaliados em R$ 864 mil.

A GCCO apontou que, pelo menos, desde o ano de 2021, o grupo criminoso já vinha atuando em Mato Grosso e Goiás em furtos e receptação qualificadas de defensivos agrícolas.

Atuação da organização criminosa

Diálogos obtidos durante a investigação mostram os integrantes do grupo combinando os crimes e depois de efetivar os furtos, fazendo a partilha do lucro oriundo do crime.

Em um dos diálogos, F.F.M. diz que está na cidade de Querência, esperando o seu cunhado, ou seja, “U.A.S”, para ir a fazenda. Na sequência, F.F.M. deixa claro a outros dois suspeitos que, o que vão pegar na fazenda vale milhões ao dizer “ganhar os milhões mano”.

No dia 14 de novembro de 2021, F.F.M. volta a informar os suspeitos: “o trem vai ser agora” se referindo à ação criminosa que estavam planejando cometer. No dia 15 de novembro, ele diz: “estamos na metade” se referindo à volta para a cidade de Jataí (GO), após cometer o furto.

Conforme as datas descritas no diálogo, a Polícia Civil comprovou que entre os dias 14 e 15 de novembro de 2021, durante a noite, ocorreu um grande furto em Ribeirão Cascalheira, quando foram levados 3.356 litros de defensivos de uma propriedade rural da região.

Em 16 de dezembro de 2021, F.F.M. diz: “hoje nós pega e já desce”, levando ao entendimento que já estão no local onde vão fazer o furto. A análise da conversa, data, hora e distância aponta que se tratou do roubo à fazenda no município de Ipiranga do Norte, ocorrido na madrugada do dia 17 de dezembro de 2021.

No roubo em Ipiranga do Norte, F.F.M. estava com uma picape Montana prata, que foi carregada com os defensivos, e diz: “achei que ia ficar com medo, mas fiquei de boa”; “pai tá em todas agora” “carregou até o talo” “mais de mil kilos” “deu pra pegar os 3 carros cheios”; ”Montana representou”, “estava cheio de veneno; “os três carros andando na lavoura de madrugada…foi coisa de filme”.

A irmã de F.F.M., responsável pela organização dos furtos, diz que a carga foi entregue em uma fazenda na cidade de Itumbiara (GO) e o receptador pagaria com cheque pelos produtos roubados.

Após concluir o roubo, um dos investigados diz: “eu acho que dessa vez (fulana) pegou muito trem bom viu, que selecionou só os top, só os top pra nós levar”(sic).

Em seguida, um deles fala dos valores que ganhou como resultado do roubo: “cantou minha ala, ficou 10 mil, ganhei 10 mil, tá bom hein, tô achando que hoje eu vou em Rio Verde pra tomar uma”. Já a irmã do investigado responde: “… 10 mil, hein, (fulano) ? Só pra você ficar três dias fora de casa. Tá bom, hein. moço, tô te falando, como é que faz alguma coisa? O (fulano) não dormiu até agora, ele vai chegar aqui e vai capotar. Só amanhã”, se referindo ao marido, também investigado e um dos líderes dos roubos.

Outro diálogo obtido na investigação, os acusados conversam sobre mais um furto planejado, afirmando que tem a planta da fazenda: “…já mandei um áudio para ele, um serviço numa fazenda aqui por perto… até a planta da fazenda nós tem”, dizendo que a investigada, identificada como a responsável em planejar as ações, tem as imagens da fazenda alvo.

Em mais um diálogo, os dois irmãos falam em abrir um negócio com o lucro das ações criminosas: “É mesmo, ele tem que abrir um trem, mas o que vocês estavam pensando de abrir, tem alguma coisa em mente? tem que ser oficina, né? porque não tem outra coisa? O (fulano) não trabalha. No caso, ia ser pra abrir oficina, você trabalhar, né? Ele ia só investir o dinheiro, no caso. Aí, porque ele não gerencia porra nenhuma, não ia mexer com nada”.

Após a conversa, em fevereiro de 2022, F.F.M. abriu uma autoelétrica, localizada no setor central da cidade de Jataí.

O delegado Antenor Pimentel explicou que a investigação concluiu que C.F.M. aliciou o irmão F.F.M. para ingressar na quadrilha. A investigada fazia a organização das ações e estava ciente sobre toda a atuação do grupo. Os demais integrantes, incluindo o marido da investigada, eram os responsáveis pelos furtos dos defensivos, transporte e entrega dos produtos aos receptadores.

Após um dos furtos concretizados, o marido diz à esposa que receberam R$ 37 mil do receptador.

Fichas criminais

A investigação identificou 7 integrantes do grupo criminoso, um deles com extensa ficha criminal por crimes semelhantes praticados em Mato Grosso do Sul e Goiás. P.C.W. é conhecido pelas Polícias Civis de outros dois estados por envolvimento em furtos de defensivos. Em 2019 foi preso em flagrante por roubo de defensivos em Mato Grosso do Sul, onde anos antes, foi preso no mesmo estado por um furto na cidade de São Gabriel d’Oeste.

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